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PROCESSO CRIATIVO: A CONCEPÇÃO DO MOBILIÁRIO BRASILEIRO

Quem trabalha com criação sabe bem, a trama que permeia e antecede o produto final é a parte mais importante de todo o processo. As ideias, como bem adiantou Platão lá nos idos de 428 a.C. – em sua tese sobre a Teoria das Formas –, nascem e morrem, chegam e se esvaem e são, ainda assim, o que há de mais concreto no ciclo criativo. Isso porque é a partir deste estopim de pensamento, que é possível iniciar as próximas etapas necessárias para transformar o conceito em artigo palpável. Mas como ultrapassar a barreira do imaginário a fim de produzir algo concreto e estabelecer um processo criativo que resulte em trabalhos únicos, e de função e estética aprazíveis? A grande verdade é que não há uma fórmula mágica. E pode soar como mera retórica afirmar isso em um mundo com tantos botões e comandos prontos para serem acionados a qualquer momento. Mas a boa notícia é que a verdadeira criação ainda está a salvo do mundo automático e a mente humana é a única capaz de dar vida a uma ideia.

Caminhando para uma abordagem mais segmentada, como a da produção de mobiliário – e especificamente num cenário nacional–, mas ainda na página de processo criativo, é possível afirmar que, no país, este mercado cresce a cada ano e a safra de criativos aumenta exponencialmente. Segundo a curadora de design Camilla D'Anunziata, para se diferenciar nessa colheita “é preciso estudar mais a fundo conceitos e referências, se debruçar nas próprias raízes e no repertório autoral para produzir uma linguagem nova e proprietária”. De acordo com ela, ainda, “o Brasil vive um momento de grandes mudanças neste sentido, pois hoje transitamos entre a referência, que é global, e a caricatura do que se pensa como nacional”.

Para o músico e designer Sergio Fahrer, “o traço de cada designer deve ser único”, e até parece clichê afirmar isso, mas não, relembrar este “mandamento” evocado também, lá nos anos 1980, pelo mestre Sergio Rodrigues (1927-2014), não é nem um pouco óbvio num universo em que a máxima do “nada se cria, tudo se copia”, vive em equilíbrio numa linha tênue e tentadora. Fahrer explica que “é dessa singularidade que reconhecemos o verdadeiro criador e a criação de fato”. E continua: “a verdade na hora de desenhar, a emoção do desafio, da descoberta, das matérias-primas, das experiências de vida, ‘daquele momento’ ou de algo que nos surpreendeu devem estar presentes no proceso de criação”, conta. Para seu irmão e sócio, Jack Fahrer, a inspiração pode chegar quando menos se espera. “De repente ela vem de uma viagem, uma experiência, uma música, uma técnica construtiva diferente, um retalho de madeira ou uma sobra de material com formato engraçado. Não tem muito como controlar este momento”, brinca.


Na foto, os irmãos Jack e Sergio Fahrer (esq. para dir.)

Já para a designer paulistana Natasha Scholobach, pensando em escala, na hora de se criar um móvel comercial, é preciso levar em conta, ainda, outros fatores. “Precisamos pensar inicialmente na sua funcionalidade, e, em seguida, numa série de outros itens, como: a viabilidade do desenho e do conceito em si, o público alvo, o material utilizado, a tendência e – por que não? – os concorrentes”, sentencia. “O passo seguinte é fazer os estudos de variações e tamanhos e adequar as medidas para que sejam as mais ergonômicas possíveis”. O último passo, segundo Scholobach, “é o desenvolvimento junto ao fornecedor. Etapa esta que, em alguns casos, se torna desgastante e demorada, mas sempre muito necessária”, revela.

Publicitário por formação e designer por encaminhamento da vida, como ele mesmo define, Danilo Lopes está há mais de 20 anos no mercado e nos conta que a rotina criativa em seu escritório (Neobox), é sempre composta por fases. “Fazemos pesquisas variadas com base em viagens para o exterior e no Brasil. Lá fora procuramos tendências mais cosmopolitas, e, aqui, correspondências nacionais para os produtos. Também utilizamos sites, revistas, analisamos comportamentos e, tudo o que percebemos como necessidade do mercado, levamos para a nossa reunião de pauta”. Sua sócia, Paula Gontijo, revela que o segredo da dupla é respirar design. “Pensamos 24h por dia no que podemos criar, e sempre buscamos propostas e temas inusitados para converter em produto. Dessa forma, podemos imprimir um estilo diferente para cada protótipo”, diz.

O que tiramos destes depoimentos de profissionais imersos neste cenário há anos, é que há ainda espaço e muito trabalho a ser feito. Novos nomes surgem o tempo inteiro e permanecem diante dos holofotes quem mais se destaca pelo talento e coragem de ir além. Lá atrás, nos arredores de 1950 e 60 vivemos a plenitude dos anos dourados, com Tenreiro, Lina Bo Bardi, Niemeyer nos agraciando com as suas curvas de concreto, Zanine Caldas revelando toda a sua habilidade nata com a madeira, e o carioca Sergio Rodrigues, já mencionado aqui anteriormente, inspirando a todos com suas criações cheias de bossa. Mas, como dizem e é muito claro pra quem sabe de cores (e não revelamos nenhum segredo quando dizemos que brasileiro é entendido do assunto), cada paleta possui uma infinidade de nuances. E, a julgar pela produção atual, o próximo tom de dourado já está batendo à porta. Vamos abrir?

Por Victor Lessa 

Fotos: Divulgação - Foto capa: Chaise Paso Doble da Fahrer

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