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Painel High Design: o papel do designer na indústria moveleira

Ále Alvarenga fala sobre o papel do designer na indústria moveleira, os desafios da carreira, dá dicas para quem quer iniciar e muito mais.

Ále Alvarenga é desenhista industrial e possui uma sólida carreira. Já atuou na indústria de jóias, moda, brinquedos, instrumentos cirúrgicos, tecidos e metais sanitários. No setor de mobiliário e objetos, colabora com diversas marcas como diretor de arte e curador. Convidamos Ále para falar sobre o papel do designer na indústria moveleira, os desafios da carreira, dar dicas para quem está começando e muito mais! Confira abaixo.

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O designer insdustrial Ále Alvarenga e a poltrona Loop, da sua linha autoral | Foto: Divulgação

Qual o papel do designer de produto dentro da indústria moveleira?

O Designer Industrial, com formação específica é algo raro nas indústrias. Existem formações em técnico em Design de Mobiliário cujo papel é auxiliar na interface entre designer e indústria. Normalmente no Brasil, o arquiteto agregou essa função de designer, mas acredito que muitas vezes é exercida como um diretor de arte. O designer industrial por sua vez, tem uma formação ampla que o torna capaz de entender um panorama econômico, aplicar conhecimento artístico e estético e criar produtos que estejam alinhados com a realidade de quem produz e consome. Propor inovação não é somente criar um conceito ou um croqui, e sim pesquisar e se aprofundar na identidade que muitas vezes nem a empresa sabe que possui e conduzir isso ao mercado de maneira clara. Acredito que o Designer Industrial deveria compor a diretoria de toda empresa que deseja ampliar sua atuação. Vejamos exemplos como Braun e Apple, criaram identidade e solidez na mente do consumidor através das estratégias de seus designers e equipes multidisciplinares. Um produto bem desenvolvido permanece na história e se adapta, exemplo disso é a cadeira Panton de Verner Panton, que foi criada em fibra de vidro e agora é fabricada em polímeros mais leves e mais estáveis.
 
Quais são os maiores desafios da profissão na indústria?

Acredito que seja deixar claro, que design é um custo alto para ser descartado 6 meses depois. É convencer o empresário de que uma coleção reduzida e bem desenvolvida traz muito mais retorno a médio e longo prazo. No Brasil vemos a obsolescência de um produto de forma muito potente, pois as redes sociaiscriam a sensação e o desejo insaciável por novidades que logo morrem na próxima liquidação das lojas. Criar uma consciência no mercado consumidor, arquitetos e lojistas de que desenvolver um produto é muito mais que um exercício estético, é criar um ciclo virtuoso onde o operário consiga se esmerar na produção criando soluções técnicas e aprimoramento. A tão desejada qualidade só é alcançada com a especialização de uma técnica e não pela simples substituição de um produto. Só nos tornaremos relevantes no momentos que compreendermos que o design não é meramente a forma que um produto tem.
 
Como o designer de produto pode agregar valor para uma marca?

Entendendo que a marca não é ele. Uma marca é feita pela história dos proprietários, sua cadeia de relacionamentos, sua técnica e reputação. Um designer responsável pensa nisso tudo. Estamos vivemos numa economia de likes e seguidores na qual a relevância é medida dessa forma,  sendo que na verdade um produto não acaba quando a foto é postada, ele continua na vida do consumidor que o desejou e comprou. Um designer deve ler o panorama no qual a marca se insere e propor inovações dentro daquilo que a marca é, respeitando seus consumidores e buscando tantos outros que se identifiquem com ela. Toda empresa deveria ter um designer como um dos diretores para que o peso dessa responsabilidade seja distribuído. Agregação de valor cada vez mais passará pelo o que a marca é, seu posicionamento ético e sua proposta para o futuro.
 

Qual a dica para quem está querendo começar na carreira?

Ler, criar cultura e índice. Claro, temos jovens que nasceram com a internet existindo e toda sua vivência passou pela internet. A informação rápida da internet nos tornou preguiçosos, preferimos ver vídeos a ler. Ter uma cultura geral que é baseada na literatura, no conhecimento histórico, nos movimentos artísticos e aprofundamento filosófico nos faz distanciar de pensamentos pré-fabricados. Os jovens precisam criar a massa crítica necessária para propor suas ideias de maneira clara. E se divirtam, dancem, sejam jovens, não se importem com o julgamento que a internet tanto adora, ser designer é ter postura elegante mas irreverente com aquela pitada de diversão. Não se levar a sério também é uma dica importante, auto ironia é talvez a forma mais sofisticada de humor.
 
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A luminária A419 da sua linha autoral | Foto: Divulgação

Acredita que a pandemia tenha mudado a necessidade das pessoas com relação ao mobiliário para a casa?

A pandemia obrigou as pessoas a ficarem em casa. O ser humano é gregário, gosta da convivência com outros nem que seja num parque numa caminhada solitária. Ver outras pessoas e estar com outras pessoas nunca foi tão valorizado quanto agora. Estar em casa nos fez pensar em muitas coisas, inclusive em como não valorizamos o nosso conforto ou cuidamos de outras coisas que agora fazem falta. Creio que o mobiliário terá cada vez mais um papel ligado a valores e intenções; memórias de família, qualidade de vida, ergonomia, durabilidade, estética leve e reconfortante, leveza. As pessoas estão percebendo que suas casas são seus lares, portanto o conforto de quem vive nela é mais importante que simplesmente uma imagem impecável. É preciso viver a própria casa.
 
Quais tendências / demandas você nota no mercado de mobiliário?

Não acredito na palavra tendência da forma que ela é aplicada. Tendência é algo que aponta a um comportamento futuro, portanto é mais que estética, essa é outra palavra a ser avaliada pelo mercado pós-pandemia. Acredito que demanda atende melhor ao conceito de algo que precisa ser implementado a curto e médio prazo. No contexto geral um caminho possível para pensarmos nos comportamentos futuros seria o do desejo pelo conforto, pelo que é prático. Tecidos tecnológicos fáceis de limpar e que não retenham tantos resíduos; superfícies com tratamento natural que transmitam a sensação de contato com a natureza, menos objetos sem uso, recordações e seu papel importante na mente e no que aquilo te remete. Acho que o ser humano, mais que nunca, foi apresentado a si mesmo, seu verdadeiro ser, seus medos e esperanças, e no meio disso tudo uma reconexão com a fé, longe de definições religiosas reducionistas, mas à essência de que cada vida é sagrada e o lar é seu templo. Acredito que estamos entrando na era dos "lares-templos". 


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