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Design para todos os sentidos

Arquitetos e designers de interiores explicam como a arquitetura sensorial pode ser aplicada em ambientes residenciais.

Sabe quando você entra em um ambiente e se sente acolhido e abraçado? Então, essa sensação é transmitida por uma combinação entre iluminação, temperatura, texturas e cores presentes no espaço.

A arquitetura tem a função de influenciar e transformar a vida humana. Neste sentido, toda obra arquitetônica provoca sensações, pois, nas palavras de Le Corbusier, a arquitetura é feita para emocionar. Estas sensações causadas variam conforme as referências históricas e culturais de cada indivíduo que experienciará a arquitetura, o que lhe trará significados, assim como a arte. As percepções dos espaços vão além do que simplesmente podemos ver, mas também ouvir, sentir e cheirar”, comenta Juliana Barros de Rezende, arquiteta e professora no Centro Universitário Newton Paiva.

“Permeando a função primária da arquitetura, o conceito de arquitetura sensorial ou multisensorial perpassa por vivenciar experiências, experiências essas que promovam mudanças, transformações na forma de sentir, de viver dos habitantes. Neste sentido, Peter Zumthor coloca que a arquitetura cria atmosferas, o que impacta na experiência” completa Juliana.

A influencia da arquitetura sensorial no bem estar

Ao longo de um dia podemos ocupar diversos ambientes da nossa própria casa ou outros espaços - o escritório, um café, o mercado, uma loja, por exemplo. Cada um desses espaços provocam sensações que muitas vezes nem conseguimos verbalizar.

De acordo com Juliana Barros, a arquitetura sensorial como forma de vivenciar experiências afeta quem somos, o que queremos. “Ao criar uma atmosfera, um clima é percebido a partir do som, da luz, do calor, do cheiro, da umidade, e impacta diretamente no nosso bem-estar, promovendo uma sensação agradável, de conforto, de acolhimento, ou não”.

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Amplas janelas permitem ventilacão e iluminação natural. Repare no uso da madeira natural, texturas do vidro, forro dos jardins e tecidos | Projeto: Passos Arquitetura | Foto: © André Mortatti

Os sons que ouvimos em casa vindo do exterior podem ser recebidos de forma prazerosa - como o canto dos pássaros, ou destrutiva - como a poluição sonora do trânsito. O cheiro do verde ou até mesmo de uma padaria nos traz recordações felizes da infância, opostas à visão de uma selva de pedra tão próxima que nos oprime influenciando a nossa saúde mental”, completa o arquiteto Marlon Gama.

A exemplo disso, podemos estar em um espaço, e o som se apresenta tão agradável que nos sentimos envolvidos por aquela atmosfera. Da mesma forma, a luz e, consequentemente, a sombra realça os volumes e as dimensões daquele lugar e refletem na sensação de acolhimento, pertencimento.

Aplicação em ambientes residenciais

Como em qualquer obra arquitetônica, nos ambientes residenciais a arquitetura sensorial propõe que os habitantes experienciem os espaços aguçados pelos seus sentidos, o que nos possibilita criar conexões com ele, afirma Juliana Barros.

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De um lado, frescor e luminosidade. Do outro, um convite ao relaxamento e introspeção | Projetos: Marlon Gama

E quais alternativas podem ser inseridas em nossa casa para favorecer o bem-estar no dia a dia? Segundo o arquiteto Marlon Gama, é preciso verificar como estão ventilação e iluminação natural dos espaços. “Podem ser inseridos um jardim ou vasos com plantas e flores que despertem a beleza do olfato; ervas para chás e temperos são sempre bem-vindos. A implantação de uma cascata ou queda d’água ainda que artificial nos proporciona a calma que almejamos na fuga da poluição sonora”.

De acordo com as necessidades do cliente, podemos reforçar os ambientes de produtividade com iluminações pontuais e focais. Em ambientes de descanso inserimos elementos mais acolhedores, como texturas de materiais naturais e cores neutras”, completa a arquiteta Camila Pimenta.

A conexão com os sentidos

Para entender um pouco sobre como percebemos a arquitetura a partir de nossos sentidos, a arquiteta Juliana Barros de Rezende cita um psicólogo americano James Jerome Gibson que dividiu os sistemas sensoriais da seguinte forma: sistema paladar-olfato, sistema háptico (reunindo o tato, temperatura e umidade, sinestesia), sistema básico de orientação, sistema auditivo e sistema visual.

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1. Compoisção de vasos com diferentes espécies de planta no projeto de Marlon Gama | 2. Flores para uma atmosfera delicada e feminina no projeto de Monise Rosa.

Juliana explica que o sistema paladar-olfato está relacionado aos aromas que são, na verdade, ligados à nossa experiência de paladar, do gosto. Os aromas criam uma relação de afeto e isso proporciona uma conexão fantástica com nossas experiências históricas e culturais. “O olfato é a primeira sensação no ambiente, antes mesmo de adentrá-lo. Ele pode proporcionar empolgação, felicidade, despertar memórias, mas também pode trazer tristeza e desconforto. Flores, difusores e velas são exemplos de opções de sensações”, completa a arquiteta Monise Rosa.

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Diferentes texturas foram exploradas pela arquiteta Monise Rosa nos móveis, tecidos, revestimentos de parede e almofadas | Fotos: Kadu Lopes

Já o sistema háptico está relacionado ao tato, à percepção do toque, à temperatura e umidade do ambiente que também é percebido pela pele, e à sinestesia que é a percepção de movimento do nosso corpo e adaptação ao meio. “Os revestimentos, texturas e tecidos possuem um estímulo sensorial forte, não sendo apenas usados por questões estéticas. O toque possui infinitos impactos psicológicos. Tocar, pisar e sentar apresenta variadas sensações, boas ou ruins”, explica Monise Rosa.

O tato também está presente no controle de temperatura, evitando o calor ou frio de forma incômoda. O uso de ar condicionado e lareiras é um exemplo disso, ou com aquela brisa agradável que vem da sua varanda”, completa o arquiteto Carlos Henrique Leite Pereira.

O sistema básico de orientação, de acordo com Juliana Barros, é responsável pelo nosso equilíbrio, pelo entendimento de escala e das proporções do ambiente a partir do corpo e noção de direção. Isso pode ser influenciado também com a escolha de diferentes revestimentos, texturas e relevos, de forma a conduzir o usuário a um trajeto ou local de interesse.

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Queda d'água nesta residência com projeto de Robert Hutchison Architecture + Tom Maul Architecture & Design | © Rafael Soldi

O quarto sentido é o sistema auditivo. Muitas vezes, aquilo que não captamos com olhar, pode ser percebido pelos ouvidos, e também permite nos orientar. “Podemos explorar sons naturais do próprio lugar como o vento, o som das folhagens, do meio urbano, ou mesmo adotar estratégias de ativar diferentes sensações sonoras a partir do uso de materiais”. explica Juliana.

A sensação sonora dos ambientes pode trazer efeitos negativos quando não levada em consideração. “O som de eletrodomésticos, poluição sonora vinda da rua e falta de acústica podem atrapalhar seu momento de descanso ou mesmo aquele encontro com familiares. Nesses encontros, ecos incômodos reverberando e deixando o local difícil para uma conversa que leva à elevação  tom de voz podem tornar o ambiente desagradável. Em contraponto existem elementos sonoros que podem ser usados para relaxar como cascatas ou espelhos  d’água, dando uma sensação de paz e aconchego. Caixas de som podem ser distribuídas proporcionando um ambiente agradável no  seu dia-a-dia, ou mesmo para recepcionar amigos. Revestimentos acústicos como paredes e forros evitam a propagação do som, trazendo mais privacidade e conforto ao ambiente”, completa Carlos Henrique Leite Pereira.

Por fim, o sistema visual. Juliana Barros explica que ele está claramente relacionado a nossa forma de projetar, e é um dos sentidos que mais impulsiona o ser humano a desfrutar o mundo que o cerca. Este pode ser experimentado a partir da luz natural (que traz muitos benefícios à saúde) e das sombras geradas, na forma de dispor a luz artificial e no uso das cores, que interferem fisiológica e psicologicamente no ser humano.

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A iluminação indireta com formato de espinha de guarda-chuva delimitam suavemente cada espaço e transmite uma sensação de bem-estar. Projeto: Ren Ito | © Ivo Tavares Studio

O ideal são ambientes iluminados naturalmente, mas se a arquitetura do ambiente não nos permite podemos usar de forma correta a iluminação artificial, com toda a tecnologia das novas lâmpadas e suas cores, que nos remetem às cores dos diferentes horários do dia. As cores que nos acalmam também podem ser usadas principalmente as mais calmantes nos quartos”, completa o arquiteto Marlon Gama.

A iluminação artificial e natural possuem diferentes sentidos. De acordo com a arquiteta Monise Rosa, “a luz natural contribui com a energia, saúde física e do organismo, enquanto a iluminação artificial pode contribuir para a satisfação e conforto, quando indiretas. As cores também possuem papel importante nos sentidos. Cores quentes são ideias para áreas de convívio, por sua alegria, vida ao espaço, já as frias se enquadram melhor nas áreas íntimas, buscando tranquilidade e paz aos ambientes”.

Segundo a arquiteta Juliana Barros, os conceitos da arquitetura sensorial podem ser aplicados a qualquer tipo de projeto, sendo em escala macro como espaços urbanos, em edifícios, espaços residenciais, comerciais, e também em escala micro como mobiliários. “Para nós, arquitetos, é fundamental entendermos como as soluções projetuais, a escolha dos materiais impactam diretamente na experimentação dos espaços e como a arquitetura pode causar emoções”, completa. 

 


 

 

 


 

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